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Canetas emagrecedoras manipuladas sem controle sanitário preocupam autoridades de saúde no Rio

Secretaria de Estado de Saúde alerta que produção em lote é proibida pela Anvisa e exposição de pacientes a medicamentos sem garantia de qualidade pode trazer riscos

Por Natalia Amorim
Com informações da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ)
23/03/26 - 10:07
Canetas emagrecedoras manipuladas sem controle sanitário preocupam autoridades de saúde no Rio Uso irregular de 'canetas emagrecedoras' pode representar riscos à saúde do paciente | Foto: Divulgação/Governo do Estado do Rio

A popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" tem acendido um sinal de alerta no estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), o uso de versões manipuladas de forma irregular desses medicamentos pode representar riscos à saúde, principalmente quando há produção em lote, prática que é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com a SES-RJ, a busca por alternativas mais baratas, impulsionada pelas redes sociais e pela oferta em clínicas estéticas, tem contribuído para o aumento de produtos sem garantia de qualidade, eficácia ou segurança.

A legislação sanitária brasileira determina que medicamentos manipulados devem ser preparados de forma individualizada, com base em prescrição médica específica para cada paciente.

Ou seja, não podem ser produzidos em série para venda.

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Segundo a coordenadora de Vigilância e Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, Rosa Melo, quando há fabricação em lote, "a atividade deixa de ser manipulação e passa a ser considerada produção industrial".

Ela acrescentou que isso é permitido apenas a indústrias farmacêuticas devidamente registradas:

Na prática, isso significa que farmácias de manipulação não podem produzir medicamentos em série ou em lote para venda, porque isso caracterizaria fabricação industrial de medicamento, atividade permitida apenas a indústrias farmacêuticas registradas. A manipulação magistral precisa ser feita para um paciente específico, com prescrição médica.

Rosa ainda acrescenta que, em muitos casos, essas preparações são oferecidas em clínicas estéticas ou comercializadas pela internet, sem garantia de procedência ou rastreabilidade:

Sem controle sanitário adequado, não é possível garantir a composição do produto, a dose correta ou as condições de esterilidade necessárias para um medicamento injetável.

Medicamentos exigem alta tecnologia

O farmacêutico Marcelo Frota, inspetor sanitário da Divisão de Medicamentos da Vigilância Sanitária da SES-RJ, explica que algumas substâncias utilizadas nessas terapias têm origem biotecnológica e são produzidas por processos industriais altamente controlados:

Há medicamentos desse grupo que são obtidos por processos biotecnológicos. Existe toda uma cadeia produtiva com controle rigoroso de qualidade.

A tentativa de reproduzir esses medicamentos em farmácias de manipulação pode resultar em fórmulas incompatíveis ou sem efeito terapêutico.

Em alguns casos, o paciente pode receber uma dose incorreta ou até um produto que não funciona como deveria.

Ele ainda diz que medicamentos injetáveis exigem alto nível de esterilidade:

Qualquer falha nesse processo pode causar complicações, como infecções e inflamações.

Recomendação Médica

A SES-RJ destaca ainda que o uso desses medicamentos deve ocorrer apenas com prescrição médica e acompanhamento profissional.

A superintendente da Vigilância Sanitária do Rio, Helen Keller, diz que também é fundamental adquirir medicamentos apenas em estabelecimentos regularizados e evitar produtos oferecidos em redes sociais ou locais sem autorização sanitária:

Antes de iniciar qualquer tratamento, o paciente precisa passar por avaliação médica e garantir que o medicamento utilizado seja regularizado e adquirido em local confiável.

Ela ainda acrescenta que qualquer suspeita de irregularidade envolvendo medicamentos seja comunicada aos canais oficiais de denúncia ou às autoridades sanitárias, "contribuindo para a fiscalização e proteção da saúde da população".

Denúncias

A Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro reforça que a população também pode colaborar com a fiscalização dos produtos.

Suspeitas de comercialização ou uso irregular desses medicamentos podem ser denunciadas ao órgão.

O atendimento é feito pela Ouvidoria, pelo telefone 0800 025 5525, além de canais disponíveis no site oficial da SES-RJ.

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