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Julgamento de tabelião acusado de matar esposa grávida e sogros em Friburgo tem nova data

Pedido do réu para transferir a audiência para outra comarca foi rejeitado pela Justiça

Por Natalia Amorim
30/04/26 - 14:54
Julgamento de tabelião acusado de matar esposa grávida e sogros em Friburgo tem nova data Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos é acusado de matar a esposa, grávida de seis meses, a sogra e o sogro, em agosto de 2021 | Fotos: Reprodução/Redes sociais

A Justiça definiu uma nova data para o julgamento do tabelião Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos, acusado de matar a esposa grávida, Nahaty Gomes Mello, 33 anos, a sogra, Rosemary Gomes, 67, e o sogro, Wellington Gomes Mello, 75, em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, em agosto de 2021.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), a audiência de instrução e julgamento está marcada para o dia 23 de junho, às 10h, na 1ª Vara Criminal do município.

A remarcação ocorre após uma sequência de mudanças no andamento do processo.

O julgamento, que chegou a ser iniciado no dia 9 de dezembro do ano passado, foi interrompido no segundo dia, logo após o início do depoimento do réu. Ele destituiu seu defensor público, alegando divergência na tese defensiva.

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Diante da ausência de defesa constituída, a juíza responsável, Simone Dalila, dissolveu o Conselho de Sentença e adiou a sessão, concedendo ao réu prazo de cinco dias para a indicação de um novo advogado.

Na sequência, o sistema do TJRJ chegou a indicar uma nova audiência para o dia 28 de abril de 2026, às 11h, mas, logo depois, a data foi antecipada para 3 de fevereiro.

Posteriormente, houve outra mudança, para os dias 24 e 25 de fevereiro.

No entanto, a então defesa de Ricardo — constituída após o adiamento do julgamento e depois destituída — alegava a necessidade de mais tempo para analisar o processo e aguardar o resultado do pedido de desaforamento, que é a transferência do julgamento para outra comarca, antes da realização da audiência.

A solicitação foi analisada pelo desembargador Gilmar Augusto Teixeira, da 8ª Câmara Criminal, e rejeitada em decisão publicada no dia 15 de abril.

Com a negativa, o processo permanece em Nova Friburgo.

Atualmente, a defesa de Ricardo é feita pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

Segundo Sérgio Luiz Rosmaninho, advogado que representa Saliha Gomes, irmã de Nahaty e filha de Rosemary e Wellington, o resultado atende à expectativa da família das vítimas:

O julgamento do desaforamento atendeu nossas expectativas de manutenção do processo em Nova Friburgo, uma vez que não havia qualquer motivação plausível para levá-lo a outra comarca.

Ele acrescentou:

Agora aguardamos com serenidade a realização da sessão plenária, com a esperança de que tudo correrá dentro da normalidade e sem novas manobras procrastinatórias.

O escritório Lugon Advogados Associados, que representa Gustavo de Freitas Mello, irmão de Nahaty e filho de Wellington, também destacou a importância da nova data.

A marcação do júri representa um passo fundamental para o encerramento de um ciclo de dor e a busca por respostas da Justiça que a sociedade tanto aguarda.

A assistência também afirmou:

Temos o compromisso com a sociedade e com as vítimas, atuando de forma técnica e incisiva, em alinhamento com o Ministério Público. Confiamos na soberania dos vereditos do Conselho de Sentença, reiterando nossa confiança no Poder Judiciário para se fazer Justiça.

Relembre o caso

O crime ocorreu em 13 de agosto de 2021, em Nova Friburgo.

Segundo as investigações, Ricardo Jucá teria atirado contra a esposa, Nahaty Gomes Mello, de 33 anos, que estava grávida de seis meses e atuava como juíza de paz.

Em seguida, ele teria atirado contra a sogra, Rosemary Gomes, de 67 anos.

Mãe e filha morreram no local.

O sogro, Wellington Gomes Mello, de 75 anos, também foi baleado, chegou a ser internado, mas morreu em 1º de setembro de 2021.

Defesa do réu

Em julho do ano passado, a advogada Daniela Grégio, que atuava na defesa de Ricardo Jucá, disse ao Portal Multiplix que o réu tem um laudo emitido pelo Instituto Heitor Carrilho, instituição psiquiátrica do estado do Rio, que atesta que ele não teria condições mentais de discernir o certo do errado no momento do crime.

Segundo Daniela, por essa razão, ele seria considerado inimputável.

A tese de surto psicótico, foi rejeitada pelo TJRJ, que manteve as qualificadoras de triplo homicídio qualificado e aborto provocado.

Segundo informado pela advogada na época, ele "divide cela com outros detentos e encontra-se em estado normal de saúde".

Após o adiamento do julgamento em 11 de dezembro, o réu chegou a constituir o advogado Allan Vinicius Almeida Queiroz como defensor.

Mas o profissional foi destituído e quem fará a defesa do réu no dia 23 de junho será a Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

Ricardo permanece preso na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

A reportagem entrou em contato com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para saber a expectativa do órgão, responsável pela acusação formal do réu.

À época do adiamento, o MPRJ afirmou que o "acusado foi o único responsável pela não realização do julgamento" e considerou o pedido de destituição da defesa uma "medida protelatória", classificando a conduta como "má-fé na litigância".

O Portal Multiplix aguarda retorno da instituição.

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